
Umas são aspirantes a emprego, donas de casa, mulheres de família, meninas direitas ou desocupadas pela NET nas horas vagas.
Sete é número da perfeição.
Sete são as PubliciCats.
[ Já Passou ]
Veja
aqui
[ Letras Poderosas ]
Butterfly Wings
Absynto
Cannibal Cafe
Deconstructing Dani
Fascinada Pelo Instante
Leitura Aleatória
Mediciland
Oficina Irritada
Poesias Eróticas
Viagem de Dolores
Mixuruca
[ Cores do Mundo ]
Borboleta
Borboletinha
Fadulândia Videolog
Lady Stardust
Nathalie Sanz
Perdidos em Sampa
Rock Female 25
[ Layout por ]
Borboleta Cor-de-rosa.
[Segunda-feira, Junho 25, 2007]
Em breve...
1 post!
Beijos
por Publicicats * 9:39 AM

[Quarta-feira, Janeiro 31, 2007]
Sexo bom é sexo pastelão.
Outro dia eu brincava de TOP 5 com uns amigos - vale divulgar... é uma brincadeira ótima de eleger as 5 piores ou melhores coisas dentro de um assunto - Voltando... elegendo as 5 situações mais engraçadas pelas quais já passamos na hora do "vamo ver" e rankeando, percebi que esses momentos de sexo pastelão marcaram algumas das minhas melhores experiências.
Eu sei que bate o constrangimento, porque a gente tem aquela coisa idealizada do cinema, em que as pessoas fazem de pé, de roupa, de salto e não perdem a compostura e nem desmancham o cabelo, só que é no momento pastelão que aquela máxima "relaxa e goza" passa a ter muito mais sentido.
Formigas, camas quebrando, flagrantes... quem nunca teve nada disso não sabe o que está perdendo, no mínimo, uma boa história e eu até complemento, uma boa trepada, porque se ao menos na cama a gente não descontrair, onde mais?
Sexo "limpo", sexo "perfeito", sexo "romântico", sexo "profissional" - meras convenções de gente sem graça que não sabe rir de si próprio. Calcinha presa no pé, cama rangendo, estrados quebrados, cabeçadas na parede, so cool. Eu fico com o sexo pastelão, disparado! Porque aquele sexo "OH, AH", só existe mesmo em filme pornô, e é muito, muito fake.
Nana T.
por Publicicats * 7:43 PM

[Quinta-feira, Outubro 05, 2006]
Alô...
Alô...
Alô além!!!
----^---v---^-v---------------------------*---------------
É eu acho que morreu.
Beijos, Cats!
Loca
por Publicicats * 3:07 PM

[Segunda-feira, Junho 19, 2006]
Caí
E meus sonhos desabaram em cima de mim
Não me socorreste a tempo
E me perdi em meu mundo de ilusões
Ainda chamaste meu nome
Mas não dei ouvidos e me enterrei ainda mais
Quando quis retornar
A realidade havia mudado
Não mais me reconheceste em teus olhos
Me deixaste ir como a um estranho
Eu já não significava mais nada
Tentei voltar, manter contato,
Mas estavas surdo aos meus apelos
Resolvi parar
Sumir um pouco
Quem sabe minha ausência traga alguma lembrança...
por Publicicats * 10:21 PM

[Segunda-feira, Abril 10, 2006]
"Sushilezas"
Um aprendiz, seu mestre, uma faca, pedaços de peixe, arroz. Uma tradição cercada e feita de coisas simples. Sutilezas.
Quando o menino chegou ao restaurante, muito desajeitado, o mestre logo viu que aquele seria um trabalho árduo, parecia-lhe quase impossível que o garoto que vivia derrubando facas e batendo-se nas pessoas na cozinha viesse a aprender alguma coisa. Mas passado algum tempo, ele se mostrou um aluno aplicado, apesar de desajeitado e aprendeu a enrolar os bolinhos com perfeição e até a escolher as melhores postas. Porém continuava fatiando o peixe grosseiramente.
A um leigo pode parecer até fácil, uma faca afiada e um peixe macio, que segredo pode ter? Ou que não tem tanta importância, que a grossura das fatias não faz diferença nenhuma. Mas o mestre e o aprendiz sabiam que sim.
Era preciso cortar o peixe no sentido certo, na espessura ideal, senão alteraria o sabor do sushi completamente.
E era exatamente essa técnica, essa perfeição, que o aprendiz tanto buscava, e que o mestre, considerado o melhor da cidade, tentava ensiná-lo meses a fio.
O aprendiz tinha muita admiração pela técnica daquele homem. A maneira como cortava o peixe, tão simétrico tão exato, era fascinante, um ritual mágico, simbólico, quase sexual: ¿A lâmina atravessa a carne¿ pensava ele em êxtase hipnótico. E quando chegava a sua vez, atrapalhava-se. A presença do mestre o intimidava. Um milímetro cortado fora do lugar era imediatamente desprezado. O mestre não admitia imperfeições. Sentia-se impotente. Por mais que tentasse nunca recebia o tão desejado olhar de aprovação. E foi assim durante meses, o mestre brigava, tomava conta de cada pedacinho cortado, mandava-o refazer barcas inteiras. Mas não naquele dia. Parecia extremamente cansado, deixou passar um sashimi cortado na direção errada e nem olhou para o que o aprendiz estava fazendo. O rapaz ficou preocupado. Pensou que talvez o mestre tivesse se cansado dele e até errou de propósito para ver se recebia atenção. E nada. O restaurante fechou e todos foram para casa.
O aprendiz decidiu então ficar até mais tarde, disposto a fazer alguma coisa. Olhou os instrumentos sobre a mesa. Onde estariam os ingredientes? E então a viu. A posta rosada a lhe encarar. Pensou que era sua última chance.
Lembrou das palavras do mestre ¿ É preciso cortar com os olhos e as mãos. Saber escolher o melhor pedaço é o começo do segredo. Sinta a textura do peixe em sua mão. Carne na carne. ¿ Então finalmente entendeu. Não podia ser mais claro.
Olhou o pedaço tenro. Escolheu a parte interna, mais rosada. Molhou a faca na água e no sentido dos veios começou a tirar a lasca finíssima.
Arrumou a carne sobre um bolinho de arroz e envolveu-o com uma tira de alga - a mesma com a qual fez uma espécie de emplastro, colando-a sobre o golpe para estancar o sangue. Sentia uma dor lancinante, mas estava satisfeito.
Deixou sua pequena obra de arte no centro do prato, solitária. Como uma iguaria única, que merece ser comida isoladamente. E era.
Quando o mestre chegou, não havia mais ninguém no restaurante. Achou apenas a iguaria sobre a mesa. Analisou seu tamanho, formato, corte. Pareceu-lhe perfeito. Levou-o à boca e sentiu com prazer a carne se derretendo na língua. Fresca, tenra, única. Prolongou a degustação o máximo que pode até engolir o último pedaço com os olhos fechados de prazer. Sim, era perfeito.
nana
por Publicicats * 5:39 PM

[Sexta-feira, Março 17, 2006]
Conto de carnaval
Era um bailinho de carnaval assim, meio meia-boca, mas que lotava de gente todo ano. Não faltava o principal, birita e animação. Tinha sempre as mesmas figuras; palhaços, odaliscas, piratas e aquele cara que insistia em ir só com uma folinha de mangueira e um penico na cabeça e que ninguém sabia dizer que diabos de fantasia era aquela.
O pierrô também era figurinha fácil no baile, boêmio, galanteador, conhecia todo mundo da festa, e no momento, bebia animadamente com duas melindrosas no cantinho do salão. Foi quando a viu. Linda, distraída, debaixo de dezenas de bolas em sua fantasia colorida.
Nunca tinha visto aquela moça no baile, e se tinha visto, com certeza não lembraria, pois toda vez saía carregado e acordava só dois dias depois, já em casa e sem a carteira. Corajosamente, atravessou o salão e foi falar com aquela beldade carnavalesca.
- Oi, posso saber o seu nome?
- Colombina...
- Prazer, eu sou o pierrô.
- Pierrô? Que coincidência!
- Por quê?
- Tenho um cachorro que se chama Pierrout!
- (...)
E assim, foram conversando, conversando, o pierrô se chegando, até que uma hora...
- Colô, você tem namorado?
Ela disse ¿ sim, eu tenho. E você? Tem alguém?
- Eu tinha, a Camélia....
- E o que aconteceu com ela?
- Morreu.
- Ah coitadinha!
- Não fique triste, você é muito mais bonita que a Camélia que morreu.
De repente, sem maiores rodeios, se jogou aos pés da colombina, beijou-lhe as sapatilhas imundas de confete e pisões dos outros foliões.
- Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim, ó meu bem não faz assim comigo não, você tem que me dar seu coração.
- Você não desiste né?
- Não posso evitar, me apaixonei perdidamente por você.
- Eu já soube de um pierrô apaixonado que vivia só cantando e por causa de uma colombina acabou chorando, acabou chorando - Colombina era meio gaga e tinha o estranho cacoete de repetir a ultima sentença de cada frase -
- Mas por você meu bem, eu choraria dias e noites, mas do que chorei pela pobre Camélia...
Ela corou mais uma vez e abriu um leve sorrisinho. Tudo indicava que o pierrô ia se dar bem.
A galera em volta ajudava o climão engrossando o coro:
- Vai, com jeito vai! (...)
Percebendo que o momento era oportuno aproximou-se da flor no cabelo da colombina e cheirou-a profundamente...cantou então no ouvidinho dela:
- Vou beijar-te agora não me leve a mal...pois é carnaval.
Não resistindo mais Colombina caiu nos braços do pierrô e se deixou beijar, e para sua surpresa, mesmo com duas dúzias de confetes na boca, o beijo do pierrô era muito bom. Estavam ali, preparando-se para engolir mais algumas dezenas de confetes quando ela viu:
A cabeleira do Zezé, seu namorado, ciumentíssimo, metido a machão (embora as más línguas dissessem o contrário) vindo na direção deles.
Embora estivesse muito nervosa e a situação fosse meio óbvia, Zezé era tb meio bronco e, na dúvida resolveu perguntar:
Colombina, é você?
Não ¿ disse ela com a cara mais pintada ¿ eu sou a filha da chiquita bacana.
Zezé coçou a cabeleira num gesto desconfiado - Então cadê a sua casca de banana nanica?
Pega na mentira e sem mais nenhuma desculpa esfarrapada na cabeça, Colombina não viu outra alternativa senão correr. Pegando pierrô pelo braço, tentou sair correndo o mais rápido que pode, foi difícil, mais de mil palhaços no salão atrapalhavam a fuga. Desesperada, ela gritava em meio à multidão ¿ ¿ô abre alas! Que eu quero passar! Ô abre alas eu quero passar!¿
Finalmente alcançaram a rua, sem ligar para o sol escaldante, e para o Zezé que ajeitando os cabelos desastradamente corria no encalço deles.
Enquanto isso, um palhaço bêbado, sentado no meio fio, vendo toda aquela cena insólita, filosofava consigo mesmo:
¿Pode me faltar tudo na vida, arroz feijão e pão, pode me faltar manteiga,
e tudo mais não faz falta não, pode me faltar o amor - Há, há, há, há! Isto até acho graça, só não quero que me falte, a danada da cachaça...¿
O Pierrot e a Colombina? Foram felizes para sempre, ou melhor, até a última nota da derradeira marchinha na quarta feira de cinzas...
nana T.
por Publicicats * 1:58 PM

[Terça-feira, Fevereiro 21, 2006]
Era uma vez uma universidade...era uma vez uma turma de comunicação, e depois, uma de jornalismo e outra de publicidade, era uma vez 7 meninas, uma amizade, o fim de um curso, 3 cidades, muitas saudades, era uma vez um blog. 2 anos de meninassuperfuriosas.
Nana
por Publicicats * 11:46 AM

[Segunda-feira, Janeiro 09, 2006]
Rain
Era início de tarde, antes de fechar a porta, ainda conseguiu ouvir o locutor dizendo que o dia seria bom, mas com pancadas de chuva. Então, lembrou-se da sombrinha, olhou pro relógio e saiu correndo. Não deu outra: choveu mesmo.
Tentava se desviar das poças e protegia o rosto com a mão em posição de sentido, pouco adiantava, o jeito foi procurar uma marquise ou toldo pra se proteger. Olhou ao redor: Nada... a não ser a porta entreaberta de treliças pequenas da casa azul.
Ficou com receio, não queria ser vista, mas entre a pneumonia e o cochicho maledicente... "Que se dane", pensou.
Entrou pedindo a licença, por um instante as mulheres lá dentro a olharam, mas logo continuaram, cada uma, com sua vida. Apresentaram-lhe uma cadeira, não sentou. Ofereceram uma toalha que prontamente negou-se a aceitar. Seus músculos pareciam petrificados, no entanto seus olhos reviravam todos os cantos que podiam alcançar. Percebeu a destreza da loira ultra-oxigenada em limpar as unhas, recém-pintadas, com um pedacinho de algodão enrolado em palitos de dentes; a baixinha - quase anã - que abastecia o bar. Já quase sem ângulo, conseguiu ver uma outra que, no final do corredor, torcia roupas enquanto cantarolava músicas do repertório popular brasileiro. Só parou mesmo quando seus olhos cruzaram com os olhos verdes da patroa que também a observavam entre tragadas compridas num cigarro qualquer.
Resolveu sentar e pensou, seria uma residência comum, se não fosse a luz vermelha que sinalizava a frente da casa.
Mas lá fora a chuva não parava. As horas passavam e nada da chuva dar uma trégua, um intervalo mínimo que abonasse a sua saída dali.
O movimento na casa continuava, a folga estava terminando e era preciso por tudo em dia para o começo da função. Já esquecida dos "olhos verdes de serpente" voltou a acompanhar a agitação: olhou para as mulheres da casa, não eram como as que aparecem nas propagandas de TV madrugada adentro dançando insinuantemente sobre tablados. Na realidade, não eram nada atraentes. Algumas com muitos quilos acima do peso indicado apertavam seus corpanzis em shorts muitos números menores. Perfumes fortíssimos, cabelos desgrenhados conferiam às ¿meninas¿ um certo ar de leoa selvagem, insaciável - pelo menos assim pensavam. Outras tinham corpos que eram quase infantis, mas os olhares... esses sim, tinham fogo. A única que não "atuava" que era a mais bonitinha dentre todas: era a patroa. Ela coordenava tudo e todas com seu olhar oblíquo e seu cigarro fumegante. Era uma maestrina, o cigarro sua varinha e "as meninas", sua orquestra.
Todas se reuniram na sala da frente, de mãos dadas, rezaram um Pai-Nosso se benzeram e cada uma assumiu seu posto.
A anã foi para traz do balcão. E todas sentaram. A ela, coube espreitar.
Os primeiros clientes chegavam... todas as idades, todos ou nenhum perfume. Alguns só queriam beber e todos queriam se divertir. Não existia tempo para a corte, uma cerveja ou dose de cachaça e lá rumava a loira para o quarto. Ao som do funk coxas roliças se ofereciam obnubladas pela fumaça quase densa dos cigarros...
De repente, uma mão na sua perna convidava para uma sacanagem. A respiração em suspenso. Todas na sala paralisaram. Era um senhor, talvez até avó de alguém, que a confundira. O aperto forte continuava na perna dela mostrando a força de homem inebriado pelo ar que a casa exalava.
Correu os olhos arregalados em volta a procura de ajuda, mas novamente cruzou com as flechas verdes da dona da Casa. As duas se encararam: num olhar desespero e medo no outro, só o verde delineado fortemente. A patroa lhe acena um brinde com o copo de cerveja, ela respira fundo e sorri.
Dizem "a curiosidade matou o gato", mas no caso dela rendeu bem mais que roupas molhadas de chuva.
Loca
por Publicicats * 11:36 PM

[Sexta-feira, Novembro 18, 2005]
Histérica
Seu corpo magro, sinuoso de cobra, podia enroscar-se nela, fundir-se, como jibóia que se
prepara para esmagar a presa.
No lugar da floresta tropical um quarto de solteiro, livros, roupas e revistas sobre a cama, cinzas, papéis e sapatos espalhados pelo chão, um ninho, pura camuflagem; era acolhedor e ideal para aquelas horas de abate.
Música ambiente: um barulho infernal. Choro de criança, vizinha ouvindo brega, convenção de cachorros na rua, o caos. Gemido suspiro e palhetas do ventilador em primeiro plano.
Procuraram se ajeitar desastradamente, cama pequena pra tanta coisa em volta, derrubaram livros , cds, deram com o pé no ventilador, que foi parar no chão. Quem liga? Bom mesmo era sentir calores.
Ele prolongava o ato, era ritualesco, queria testar performances, agradá-la. Calculava os beijos (esse aqui, esse no pescoço, agora ela arrepia), ela afobação, queria logo, mas fazia-se menina e esperava o cortejo com dissimulada paciência. Uma vez dentro, parecia ser pra sempre, mexia-se um pouco, ela gemia, parava, ela suplicante, ele torturando. Então do nada, susto! Com força, com raiva, com impaciência até, empurra-se pra dentro dela - pa pa pa - repetida e freneticamente. A casa tremia toda, ela idem.
Então explodia. Barulhenta, esparrenta, entusiasmada. Entusiasmada* era a palavra - Entusiasmo, vem do grego e significa "Ter um deus dentro de si". Deus Falo, falácias, falante, discorrendo pelo corpo dela naquela madrugada, riso e gemido do que não se continha. Não cabia, era preciso dividir com os vizinhos, com os ratos, baratas, com todos os seres da noite.
Um cachorro mais eriçado postou-se bem na porta do lado de fora da casa, voyeur auditivo, tomando conta dos amantes, e a cada gemido, a cada grito, soltava uivos e latidos, como se pedisse pra que abrissem a porta, como se quisesse participar. Bestialismo não consentido, mas usufruído, pois ela se excitava. Se excitava com o cachorro latindo, com a cama rangendo, o ventilador estalando, as paredes chiando, os vizinhos desafinando e a casa caindo.
Mas ele não ouvia nada. Só os gritos e o som da própria bacia batendo nas ancas dela. Concentração, gozo, exaustão. Ele confessa entre baforadas:
Égua, tu grita muito - Sim eu grito.
E quando finalmente se calava, lá fora a noite berrava histérica.
nana
por Publicicats * 5:54 PM

[Quinta-feira, Outubro 20, 2005]
FIO
Limpou-se como de costume. (levando da frente para trás, como sua mãe ensinou), tinha mania, desde pequena, de olhar o papel. E nesse dia notou que nele, havia um pedaço de linha vermelha. Buscou na própria roupa algo que denunciasse. Mas nada, vestia azul, da blusa à calcinha, nem um fio, nem uma linhazinha vermelha sequer. Teria vindo de onde?
Era no banheiro que ela tinha seus momentos de maior privacidade. Ali a mãe não a vigiava, e ela poderia ser como quisesse.
A mãe: um capítulo a parte. Para aquela mulher, tudo era pecado, era errado, era feio - Não come de boca aberta, Não ajeita a calcinha, Esse filme é muito imoral pra você, Namorar antes dos 18 é proibido! Ô menina da cabeça suja! Ô menina imunda! Meu Deus! Tá olhando o quê - Tô me vestindo, sai daqui! - E cresceu assim, tendo vergonha do próprio corpo, e do que saía dele.
Mas longe do olhar dela, podia se olhar o quanto quisesse. Banhava-se esfregando todo o corpo molemente, perscrutava as próprias partes, suas próprias intimidades, para "se saber" melhor. Na frente dos outros não. Era roupa folgada e nada de calcinha cavada. Pra não deixar marca - Menino pensa muita bobagem.
A mãe sempre colocou na cabeça dela que os olhares das pessoas eram maus. Sobretudo dos homens. Que eram capazes de passar por dentro da roupa, atravessar, uma, duas, três camadas de pano e chegar no mais íntimo de nossas vergonhas.
Era um pensamento assustador por alguns instantes, depois, ela se pegava quase ansiando por um olhar daqueles. Nunca um homem a olhara daquele jeito. Talvez houvesse panos demais.
Só um dia, um único dia. Caiu na rua. Andava avoada como se pisasse em nuvens, e errou o meio fio. Um rapaz de farda levantou-a do chão, e foi então que percebeu que ele olhava não para o seu rosto, mas para um pedaço da calcinha, que ficou a mostra com a queda. Rapidamente levantou e ajeitou a roupa, mais por reflexo do ensinamento materno do que por vontade e fez cara de agradecida-leventemente-ofendida e corou.
Os desavisados, poderiam pensar que por vergonha, mas foi de excitação. Ela teve que correr para chegar até em casa e trocar a calcinha úmida.
Mas nesse mesmo dia, quando chegou desgrenhada e com a barra da saia suja a mãe perguntou o que tinha acontecido.
- Caí. - disse num fio de voz.
- Alguém viu?
- Não. - disse rápido como se fosse deixar escapulir um sorriso quando pensasse no rapaz.
- Ainda bem. Homem é uma coisa horrível, adora se aproveitar desses momentos.
E foi só. De vez em no banheiro pensava no rapaz, em outros rapazes, nos pedaços de filme que via na televisão e que logo sua mãe mudava. E ela mesma às vezes se repreendia, por pensar tanto nessas coisas. Às vezes era como carregasse um grande peso, o tempo todo, pela culpa de pensar tanto no que, sabia, não deveria pensar.
E era exatamente nisso que pensava, no peso, quando encontrou aquele pedaço de fio. O que haveria de ser? Limpou-se de novo, para ver se não era a menstruação chegando timidamente, mas o papel veio limpo, só o fio, estava lá pendurado, como se pedisse para ser puxado. E foi o que fez. Puxando e puxando, procurando um fim. Mas não vinha. Na medida em que puxava, mais fio aparecia, como se tivesse um enorme novelo dentro de si. Puxava e sentia coisas estranhas, lembrava de todas as sensações reprimidas desde a sua infância. Todos os desejos contidos, um a um, e conforme puxava, ficava mais e mais leve.
E ali mesmo, sobre a lajota branca do banheiro, desmanchou-se toda.
nana
por Publicicats * 12:29 PM

[Quarta-feira, Setembro 14, 2005]
Só gostava de homem bonito. Bo-ni-to, não "tinho". Desses que passam na rua e as mulheres com seus pudores hipócritas olham com o canto do olho e retorcem um pouco o pescoço numa manobra dolorida, deixando o músculo na dúvida se vai ou se fica.
Era desses que ela queria. Se fossem inteligentes melhor, mas não se importava nem um pouco que fossem burros. Queria era exibi-los, causar inveja alheia e aumentar o mito sobre si mesma, o que ela tinha pra atrair tantos Apolos?
De braço dado com seu amante passeava pela rua, às vezes afastava-se um pouco só para ver se alguma mais ousada se aproximava, e quando acontecia, vinha depois de minutos, exultante, com seu melhor sorriso e o levava, deixando a outra roxa de inveja.
Era muito invejada, e gostava, dos olhares de desdém, de fúria, de ultraje até (como podia uma mulher se dar ao desfrute de aparecer com tantos homens diferentes?). Até que um dia pousou sobre ela um olhar de ironia. Deboche. Ele ria. Ria. E com dentes horrorosos.
Quem aquele homem feioso pensava que era afinal?
- Um gênio, letrado viajado e dono de uma conversa fascinante - segredaram-lhe ao ouvido.
Ah, então era isso! Um esperto, um "letrado" julgando-se digno de poder julgá-la. E foi com aquele sorriso que ele se aproximou:
- Posso oferecer uma bebida?
Ela estacou. O gesto não combinava com a postura cínica. Aceitou. Deixou que ele sentasse à sua mesa e pagasse a bebida, era uma boa oportunidade de mostrar quem ela era. Mas não conseguiu. O cheiro de tabaco forte que impregnava de suas roupas era inebriante. A sua conversa a havia hipnotizado, da boca seca e de dentes amarelados saiam palavras encantadoras, e quando se percebeu, estava sentada havia horas ouvindo historias daquele estranho. Até que ele perguntou:
- O que uma mulher fascinante como você faz com homens como aqueles?
- Eu os exibo.
- Não, eles a exibem.
E foi com esse comentário que a conversa entre eles encerrou neste dia. Ele beijou-a na mão e retirou-se.
Ela não esqueceu o encontro. E sair com seus Apolos perdera um tanto da graça. Quando encontravam-se por acaso nos cafés da vida, ela, sempre acompanhada, não conseguia tirar os olhos dele. Os dentes amarelados de cigarro dele a arrepiavam. Os cabelos desgrenhados conferiam-lhe um certo ar selvagem e as olheiras fundas eram um detalhe aterrador. Hipnotizavam-na.
Ele, percebendo o encanto que tinha sobre ela alimentava-o, com bilhetes que jogava em seu colo, trechos de poesia em papéis de fumo deixados sobre a mesa, mas nunca se aproximava diretamente, pois sabia que parte de seu encanto estava em ser um pouco inacessível àquela mulher que sempre tivera quem quer que fosse na mão.
E ela saboreava cada um daqueles bilhetes, segurando-os com as duas mãos, cheirava a nicotina dos dedos entranhada naqueles versos, passava o dedo por cima da escrita dura, que marcava até o avesso do papel. Alguns, tinham a letra borrada de suor, que caía do alto da testa dele, ela até conseguia ver o suor escorrendo da testa daquele homem, para o qual escrever era um labor, um ofício que demanda suor e dedicação. E sentia um misto de prazer e repugnância quando levava o cheiro acre até o nariz, cheiro forte, de homem.
Como aproximar-se dele? Como vencer o próprio nojo e a vergonha que sentiria de que a vissem com aquele novo amante?
Naquela noite foi ao café, disposta a ignorá-lo e fazer com que ele percebesse que ela não era mulher para ele. Seu coque alinhado, seu vestido caro, seu perfume francês não combinava em nada com aquele ser desleixado.
E então ele veio. E sentou-se.
Mais uma vez, os dentes amarelados a hipnotizaram, a boca falava de coisas incompreensíveis, o cheiro forte a estonteava. Álcool, tabaco e poesia.
Tomada por uma ânsia incontrolável jogou-se sobre ele, beijou-o sentindo aquela mistura de gostos em sua própria boca, esfregou-se nele querendo que aquele cheiro entranhasse em seu cabelo, adentrasse em sua roupa, sujasse a sua alma. Queria-o, latejava de repulsa e desejo, um desejo estranho como nunca sentira antes. Ali, agarrada a ele, compreendeu que era a mulher que nunca fora antes: carne suor e odores. Enquanto isso as pessoas em volta olhavam horrorizadas. Logo ela, sempre tão bem acompanhada.
Nana
por Publicicats * 7:03 PM

[Sexta-feira, Agosto 26, 2005]
A peça
Ele não acreditava que aquilo estava acontecendo. O espetáculo ia começar, os atores na preparação final, maquiagem, perucas, roupas... e ele ainda não havia chegado, estava atrasado. Logo ele. Ele precisava estar ali. As cortinas se abriram e ele acabara de sentar.
Assistiu ao espetáculo, admirado, boquiaberto com tudo que via e ouvia. Não acreditava no que estava se passando à sua frente. A cada música, abraço, beijo, suspiro ou toque, ele se perguntava como foi capaz de fazer tudo aquilo e ainda sair ileso, sem um arranhão.
Nos atos que se seguiam, as emoções se misturavam, assim como as mãos e o suor nos corpos. Hora as lágrimas que escorriam em seu rosto eram da dor da perda, hora vinham junto com o sorriso da felicidade vivida naquele momento. Nos momentos de maior suspense, mesmo sabendo toda a história e desfecho de cada acontecimento, ainda ficava angustiado, a expectativa era grande, a dor na barriga era inevitável. E mais uma vez pensava como fizera tudo aquilo, como teve coragem de chegar ao limite da insanidade, de quase cometer uma loucura. E à próxima cena, via o motivo para tanta inconseqüência que desaguava no clímax do ato em que os dois estavam extasiados em meio a tanto gozo.
Pela última vez, vivia cada emoção como se fossem inéditas, com toda atenção, fazendo parte da platéia. Agora, só fazia parte da platéia. Ao fechar das cortinas, foi o único a entender bem o que se passou. Em meio à multidão, uma pequena mulher, meio zonza e sem compreender o final daquilo, foi andando em direção à porta e pensando em tudo que havia se passado naquele palco. Ele, dirigia-se para presenciar o desmontar desse último espetáculo.
Cookie
por Publicicats * 8:29 AM

[Sexta-feira, Agosto 19, 2005]
O encontro
Ela estava completamente bêbada, não sabia quem a tinha esquecido ali e muito menos porque tinha ficado, mas dançava freneticamente ao som da música em algum lugar da boate. Vultos passavam e não conseguia distinguir ninguém e nada. Apenas se deixava levar por toda aquela loucura.
Alguém se aproximou, falou alguma coisa ao seu ouvido, mas ela não entendeu. O barulho a sua volta a entorpecia. Ela continuou andando, trôpega, agitada pela música e pelas pessoas ao seu redor. Recomeçou a dançar em outro lugar e os vultos a cercavam sem tocá-la, apenas dançando ao seu ritmo.
A pessoa voltou a falar com ela. Sem entender nada do que ouvia, se deixou ficar ali, escutando e dançando... curtindo o momento. Aos poucos, as palavras foram perdendo a sua atenção e ela começou a olhar outros detalhes... Os lábios pareciam interessantes, tentadores, convidativos. Ela começou a prestar atenção como eles se mexiam, como os dentes brancos iam e vinham aos seus olhos. O cheiro que ele emanava a deixou mais anestesiada. Todos os seus pensamentos se embaralhavam. Ela percebeu que ele segurava seu braço enquanto falava. Aos poucos foi se aproximando, as bocas se tocaram, os corpos arderam e o mundo desapareceu.
De manhã cedo, em seu quarto, a única coisa que lembrava era de como tudo tinha começado. O cheiro ainda estava em seu nariz e ela queria mais. No bolso da saia, um telefone, mas não o nome.
Cookie
por Publicicats * 8:21 AM

[Sábado, Julho 30, 2005]
O Que Digo Direi Ao Tempo
Digo: o tempo passa e das infinitas possibilidades do futuro a gente muitas vezes acaba escolhendo aquilo que se parece com o passado - meninas casam com caras parecidos com seus pais e os rapazes encontram novas mães.
Digo: que escolher o passado, ou refazê-lo nem sempre significa nostalgia, pelo menos não no sentido ruim da palavra. Na verdade é bem próximo do que chamamos Saudade.
Digo: E saudade, o que é?
Dizem: é dor ou ... Saudade.
Digo: que é telefonar para o número antigo da agenda e dar de ouvidos com a mensagem eletrônica da companhia de telefone, ou acordar um completo, e mal-educado, desconhecido tentando uma derivação diferente do número anterior, é gritar o nome de alguém na rua achando que é (e morrer de vergonha por isso), ou ainda, escrever emails para pessoas que desapareceram, sem pistas e sem muita certeza de que elas leiam. E se lerem, sem esperança de que respondam, mas o email também não tinha a obrigação de ser respondido.
Digo: Que o importante é tentar dizer, de alguma forma, o quanto esse amigo (a) do tempo passado foi importante, sem nostalgia, só saudade. Daquelas com S maiúsculo e com todas as outras também. É, SAUDADE.
Digo: descobri que SAUDADE, não significa, necessariamente, uma volta ao passado - isso é nostalgia, eu acho. SAUDADE significa lembrança daquilo que foi o melhor do seu tempo.
Digo: e voltamos ao tempo. Talvez porque TEMPO seja o maior carrasco da saudade (Dizem: o tempo faz a gente esquecer). Mas para a SAUDADE o TEMPO é apenas tempo...
...tempo de relembrar. Relembrar: os momentos, as brigas, as loucuras, todas as confidências e inclusive, os Aniversários.
E por isso Digo: PARABÉNS.
Loca
por Publicicats * 2:10 AM

[Quinta-feira, Julho 28, 2005]
SUMIÇO
De repente abriu os olhos e ele havia sumido. Uma dor de cabeça lhe incomodava e não sabia o que havia acontecido. Resolveu procurar por seu amado e não o encontrou. Procurou por todos os cantos do quarto, banheiro, desceu escadas e nada. Foi até a cozinha, sala, quintal e não o achou. Procurou nos lugares em que ele costumava freqüentar: bares, postos de gasolina, casa de amigos, trabalho e nada de novo. Decidida a achá-lo, resolveu apelar, ligar para a casa de familiares, delegacia de polícia, hospital, necrotério e nenhuma pista.
Cansada de correr de um lado para outro, desesperada, sem conseguir se manter em pé, deixou-se cair em uma esquina, angustiada, com a cabeça fervilhando, o raciocínio sem funcionar, não conseguia lembrar o que havia acontecido. Por mais que tentasse lembrar, sua cabeça doía demais para achar o motivo. Então, as lágrimas começaram a escorrer e aos poucos a tranqüilidade tomou conta do seu corpo e o cérebro voltou a funcionar.
Lembrou-se de como se conheceram, a forma como ele sempre olhava para ela, o encanto dele por todos os detalhes de seu corpo, a forma como chorava todas as vezes em que terminavam, como ele a beijava e dizia que a amava, todas as aventuras e desastres juntos e assim foi passando a vida deles, como um filme, em sua mente. Quanto mais procurava por ele, mais o perdia, não o encontrava. Tentou lembrar em que esquina dobrou, que ônibus errado entrou e o que fez para que ficasse para trás. Onde foi que ela o esqueceu que, simplesmente, ela não o mais reconhecia. Ou, que cor pintou o cabelo para que ele não a olhasse mais daquele jeito, não se importasse mais com as brigas ou com ela. Quanto mais ela olhava para aquele ser ao seu lado, menos reconhecia o homem que ainda amava, os detalhes continuavam lá, lindos, mas ele não era mais quem ela amava. Muita coisa havia mudado e ela não entendia porquê.
Enxugou as lágrimas, pegou as roupas sujas, que já estavam encardidas em alguns pontos, de tanto insistir em cair do mesmo jeito e no mesmo lugar e resolveu deixar de molho aquilo tudo até que as manchas saíssem e ela pudesse voltar a usar aquelas roupas, mas, agora, para encantar outros amores.
Cookie.
por Publicicats * 8:40 AM
